segunda-feira, 21 de julho de 2008

longe

"Gemia a rede, o leito flutuava. Assim devia ser no mar, o mar distante e imaginado que talvez nunca viesse a conhecer. Mas não estava num barco, não estava no mar. Abria os olhos: paredes, teto, o quarto em sombra, tudo parecia remoto, um aposento recordado. Cerrava-os - transviava-se de si mesma, do que era, do que então sofria. Reabria-os, tornava a fechá-los, girava, imergia em trevas cada vez mais densas. Os limites entre as coisas presentes e o que repousava em sua alma, entre o rememorado, o imediato e o sonhado fugiam, os numerosos liames que a ligavam àquele instante de sua vida embaraçavam-se, partia-se, ela se buscava e não se encontrava."

250, de O fiel e a pedra.

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