terça-feira, 1 de julho de 2008

algumas lembranças íntimas

Talvez ela estivesse sofrendo com tudo aquilo. Ou não.


Foi ao mesmo lugar hoje. Pediu a mesma coisa. Sentou numa cadeira atrás, para não sentir tanto vazio.Imaginou, relembrou, refletiu e sonhou. E por mais que fale, sempre, e sempre, lhe dizem a mesma coisa, "pode ter sido melhor assim". Ou não.

Ela já não tem mais medo de andar sozinha, nem medo de altura. Não tem medo de sair à noite, nem de andar no meio dos carros. Não tem medo porque também não tem mais nada a perder. O que possuía de mais importante, já havia perdido mesmo. (...)

Observava o distante. E um carro quase a leva. E quando olha a placa, lá está, aquele nome. Maldito nome.

Não se esforça mais. Vive como antes. Vai levando as coisas, tentando disfarçar. Sempre é mais fácil disfarçar. Fingir um sorriso aqui, outro ali. Talvez isso a torne falsa ou cínica. Ou apenas a torne mais rude, mais agressiva, mais revoltada com tudo.

É melhor chorar escondida. É melhor ir uma vez por semana na mesma igreja, e sentar no mesmo banco, e orar pelas mesmas coisas. Um dia Deus atende. Não pede nada para si, apenas para quem ama. Sabe que por mais que esteja sofrendo, poderia, e ainda pode ser pior.

Aprendeu a conviver com qualquer tipo de gente. Aprendeu a sonhar menos. E quer cada vez mais fugir para Campinas. Acha que ali é seu lugar, que algo ali a espera. Por que? Não sabe ao certo. Mas quer fazer sua vida ali. Ou não.

Não quer mudar de planos. Não quer mudar mais por quem quer que seja. Quer apenas fazer o que sempre fez.

Na verdade, quer apenas esquecer um montão de coisas. Quer jogar tudo o que existe nas gavetas da memória para o lixo. Quer fingir que nada aconteceu. Mas sempre lembra quando passa pelas ruas, sempre lembra quando ouve "Quanto mais feio, quanto mais sujo...", quando vê um Lucky, quando vê o Marlboro Verde, quando vai dormir. E nessa hora, abraça seu travesseiro, como sempre.

Às vezes finge ser forte. Em outras finge ser alegre. E nesse mundo falso é onde vai se reconstruindo.

Quer cores e planos novos em sua vida. Quer passar pelo que nunca havia passado. Quer esquecer de tudo, quer sentir o vento novamente numa noite qualquer sentada na praça, como antes fazia.E tomar conhaque de novo e ouvir as mesmas músicas de antes e sonhar como sonhava e dormir como dormia e ter o mesmo brilho que possuía no olhar.

Tudo vem com o tempo, pensa. E espera que esse tempo passe rápido, mesmo sabendo que está passando cada vez mais devagar.

Talvez isso mude, talvez isso volte, talvez isso cresça, talvez se apague. Ou não. (...)

Um comentário:

  1. "E tomar conhaque de novo e ouvir as mesmas músicas de antes e sonhar como sonhava e dormir como dormia e ter o mesmo brilho que possuía no olhar."

    Já cansei de querer ir pra outro lugar; chorar escondida e às vezes esboçar um sorriso talvez até faça bem... Talvez até te faça feliz, em verdade.
    Ela vai conhecer pessoas aleatoriamente, vai viver do mesmo jeito, só que mais bonito :)

    ResponderExcluir