quinta-feira, 31 de julho de 2008

Falta-me um bom tanto de boas coisas. Embora eu esteja numa boa fase de boas coisas.
A paciência, o conformismo, a solidão, a tristeza, os surtos, aquela paz misturada com raiva. Tudo isso me falta, agora.

Prefiro continuar com essas faltas. Quero apenas continuar assim.
Quero que apenas eu mesma nunca falte a mim.

domingo, 27 de julho de 2008

segunda-feira, 21 de julho de 2008

longe

"Gemia a rede, o leito flutuava. Assim devia ser no mar, o mar distante e imaginado que talvez nunca viesse a conhecer. Mas não estava num barco, não estava no mar. Abria os olhos: paredes, teto, o quarto em sombra, tudo parecia remoto, um aposento recordado. Cerrava-os - transviava-se de si mesma, do que era, do que então sofria. Reabria-os, tornava a fechá-los, girava, imergia em trevas cada vez mais densas. Os limites entre as coisas presentes e o que repousava em sua alma, entre o rememorado, o imediato e o sonhado fugiam, os numerosos liames que a ligavam àquele instante de sua vida embaraçavam-se, partia-se, ela se buscava e não se encontrava."

250, de O fiel e a pedra.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

fechada para balanço.

E tudo agora parece apenas uma tortura. Já perdi minhas contas de quantas palavras foram presas. Tenho vontade de gritar, correr e liberar tudo o que há de ruim de minh'alma.. Uma raiva tão grande (que chega a ser estúpida) toma conta de mim quase em todo instante. A tolerância me fere.

terça-feira, 1 de julho de 2008

algumas lembranças íntimas

Talvez ela estivesse sofrendo com tudo aquilo. Ou não.


Foi ao mesmo lugar hoje. Pediu a mesma coisa. Sentou numa cadeira atrás, para não sentir tanto vazio.Imaginou, relembrou, refletiu e sonhou. E por mais que fale, sempre, e sempre, lhe dizem a mesma coisa, "pode ter sido melhor assim". Ou não.

Ela já não tem mais medo de andar sozinha, nem medo de altura. Não tem medo de sair à noite, nem de andar no meio dos carros. Não tem medo porque também não tem mais nada a perder. O que possuía de mais importante, já havia perdido mesmo. (...)

Observava o distante. E um carro quase a leva. E quando olha a placa, lá está, aquele nome. Maldito nome.

Não se esforça mais. Vive como antes. Vai levando as coisas, tentando disfarçar. Sempre é mais fácil disfarçar. Fingir um sorriso aqui, outro ali. Talvez isso a torne falsa ou cínica. Ou apenas a torne mais rude, mais agressiva, mais revoltada com tudo.

É melhor chorar escondida. É melhor ir uma vez por semana na mesma igreja, e sentar no mesmo banco, e orar pelas mesmas coisas. Um dia Deus atende. Não pede nada para si, apenas para quem ama. Sabe que por mais que esteja sofrendo, poderia, e ainda pode ser pior.

Aprendeu a conviver com qualquer tipo de gente. Aprendeu a sonhar menos. E quer cada vez mais fugir para Campinas. Acha que ali é seu lugar, que algo ali a espera. Por que? Não sabe ao certo. Mas quer fazer sua vida ali. Ou não.

Não quer mudar de planos. Não quer mudar mais por quem quer que seja. Quer apenas fazer o que sempre fez.

Na verdade, quer apenas esquecer um montão de coisas. Quer jogar tudo o que existe nas gavetas da memória para o lixo. Quer fingir que nada aconteceu. Mas sempre lembra quando passa pelas ruas, sempre lembra quando ouve "Quanto mais feio, quanto mais sujo...", quando vê um Lucky, quando vê o Marlboro Verde, quando vai dormir. E nessa hora, abraça seu travesseiro, como sempre.

Às vezes finge ser forte. Em outras finge ser alegre. E nesse mundo falso é onde vai se reconstruindo.

Quer cores e planos novos em sua vida. Quer passar pelo que nunca havia passado. Quer esquecer de tudo, quer sentir o vento novamente numa noite qualquer sentada na praça, como antes fazia.E tomar conhaque de novo e ouvir as mesmas músicas de antes e sonhar como sonhava e dormir como dormia e ter o mesmo brilho que possuía no olhar.

Tudo vem com o tempo, pensa. E espera que esse tempo passe rápido, mesmo sabendo que está passando cada vez mais devagar.

Talvez isso mude, talvez isso volte, talvez isso cresça, talvez se apague. Ou não. (...)